«

»

nov 04 2015

Imprimir Post

Super Soccer – Super Nintendo

Super Soccer é a versão americana do Super Formation Soccer, como ele é chamado no Japão. Foi a versão japonesa que eu conheci primeiro. E algum tempo depois acabei alugando também a versão americana. Aliás, naqueles tempos era comum alugar jogo repetido sem saber, pois muitas vezes o jogo não era original, não tinha caixinha, e/ou a capa não tinha um único screenshot para dar uma pista. Se a memória não me falha, foi o terceiro jogo de futebol que conheci no Super Nintendo, depois de Super Soccer Champ e Goal! Rapidamente se tornou meu favorito. Foi desenvolvido pela Human Entertainment e lançado no Japão no final de 1991. No ocidente foi lançado em 1992.

Super Soccer - Super Nintendo

Super Soccer – Super Nintendo

Dezesseis seleções estão presentes, e ranqueadas da seguinte forma: Alemanha, Argentina, Itália, Brasil, Holanda, Inglaterra, Camarões, Romênia, Irlanda, França, Estados Unidos, Japão, Colômbia, Iugoslávia, Uruguai e Bélgica. No modo Torneio, escolhemos uma seleção e precisamos vencer todas as demais, de Bélgica a Alemanha, em 15 jogos. No final ainda precisamos vencer o time da Human, que se transformou no time Nintendo na versão americana, para finalmente completar o jogo.

Super Soccer - Super Nintendo

Super Soccer – Super Nintendo

Os nomes dos jogadores são escritos em japonês (katakana?) no Super Formation Soccer, então não sei se são reais ou não. No Super Soccer os nomes são com caracteres romanos. A seleção brasileira é formada por Riki, Nilo, Lope, Vasco, Almir, Erico, Edgar, Paulo, Plini, Edson e Beni. Na reserva temos Heito, Niko, Lito, Gasar e Pablo. Aparentemente o Edson é inspirado no Pelé, mas os demais eu desconheço. Na seleção Argentina tem um Diego que é o melhor jogador do time, então já deu para sacar o que eles fizeram.

Super Soccer - Super Nintendo: Edson, hein? Percebi o que vocês fizeram aqui...

Super Soccer – Super Nintendo: Edson 10, hein? Percebi o que vocês fizeram aqui…

Além do título diferente e do time da Human que virou Nintendo, a versão americana traz um troféu diferente, menos parecido com o da Fifa. As propagandas nas placas do gramado também mudam na versão americana, fazendo propaganda do Game Boy. Também foi incluído um modo apenas de disputa de pênaltis. Até os sprites dos jogadores mudaram. Outras diferenças são apontadas neste artigo (em francês). Creio eu que foi a Nintendo quem assumiu o lançamento do jogo no ocidente e fez as modificações que quis. No Japão a Human ainda lançou o Super Formation Soccer II, que suporta 4 jogadores simultâneos com o acessório Multitap, o Super Formation Soccer 94, baseado na Copa de 1994, o Super Formation Soccer 95: della Serie A, e o Super Formation Soccer 96: World Club Edition. Nenhum deles foi lançado fora do Japão, mas o Super Formation Soccer II eu cheguei a alugar e completar. Será assunto de um artigo futuro.

Super Soccer - Super Nintendo: Cartão Amarelo

Super Soccer – Super Nintendo: Cartão Amarelo

Agora, com o SD2SNES, conheci também a versão europeia, que me pareceu idêntica à americana. Conheci também uma versão Arcade da versão americana que está na coleção do No-Intro. Notei que na versão Arcade não é possível escolher a escalação do time, nem colocar o goleiro em manual ou alterar o tempo da partida. Me pareceu um pouco mais rápido também, mas talvez seja só impressão. Pesquisei bastante, mas não encontrei explicações do que se trata tal versão.

Super Soccer / Super Formation Soccer inovou por conta da perspectiva. O campo fica na vertical, mas o ângulo permite ver o gol do time que joga na parte de cima o tempo todo, esteja a bola em qualquer lugar do campo. O jogo aproveitou bem o efeito Mode 7 do Super Nintendo, que é usado o tempo todo para criar essa perspectiva. O ritmo do jogo não é dos mais rápidos quando comparados a outros jogos de futebol, é o oposto do Striker, o que de certa forma deixa o jogo um tanto mais real, com placares menos elásticos. Para roubar a bola pode-se usar jogo de corpo e carrinho, sendo que eventualmente o juiz marca falta e dá cartão amarelo ou, em alguns casos, o vermelho direto. O jogador com cartão amarelo fica pendurado e o seu número aparece de cor diferente. É raro tomar cartão por carrinho, é mais comum tomar cartão com jogo de corpo. Os passes também podem ser específicos para um jogador, o que está com a seta, e é possível trocar a seta com os botões L e R, o que dá uma dinâmica diferente para o jogo.

A trilha sonora é bem variada, há uma música para cada seleção. No primeiro tempo ouvimos a música de uma seleção e no segundo tempo ouvimos a música da outra, a música que toca é a da seleção que ataca para o lado de cima. Os efeitos sonoros são ok, com vozes digitalizadas de gritos dos jogadores quando são derrubados em um jogo de corpo. Temos também o grito de “gol” digitalizado que aparece após um gol, quando aparece uma tela com o jogador comemorando e também ficamos sabendo seu nome e número. Quando sai um gol contra, em vez do jogador comemorando vemos o goleiro sendo consolado por outro jogador e a voz digitalizada diz “Oh my God” na versão japonesa. Mas na versão ocidental a frase foi trocada por um “Oh No!”, pois a Nintendo americana não gosta de referências à Deus. A princípio você pode imaginar que a Nintendo americana seja composta por um bando de neo-ateus toddynho gritando “videogame laico … mimimi”. Mas a verdade é que a Nintendo americana censurava muita coisa (veja alguns exemplos nesse vídeo). Um caso clássico, que foi mostrado em algumas revistas da época, foi o da Jéssica do Final Fight, que aparece de sutiã no Arcade e no Sega CD, mas ganhou um vestido no Super Nintendo. Neste caso ambas as versões (japonesa e americana) tem a censura, mas há vários outros itens no mesmo jogo que foram censurados apenas na versão norte-americana, incluindo remoção de referências à álcool, inimigos transexuais se transformando em homens, sangue sendo substituído por explosões, nomes de chefes trocados, tons de pele de inimigos clareados, cadeira de rodas de chefe virando uma cadeira comum e, claro, um “Oh! My God” se transformando em “Oh! My Car”.

Enfim, o Super Soccer é um belo jogo de futebol para o Super Nintendo, bastante inovador e aproveitando muito bem o que o Mode 7 tinha a oferecer. É certo que os jogos de futebol em consoles evoluíram muito nesses 24 anos desde seu lançamento, mas ele certamente merece seu lugar na história. É uma pena que as continuações tenham ficado restritas ao Japão.

E como de costume, fica o meu vídeo mostrando o Super Soccer. Ambos o Super Soccer e o Super Formation Soccer estão na minha velha listinha de jogos terminados do caderno de games da minha infância. Mas nesses 24 anos me enferrujei um pouco e não consegui passar do terceiro jogo. Tentarei de novo em outra ocasião.

A listinha de jogos terminados da minha infância, com o Super Formation Soccer na posição 29 e o Super Soccer na posição 63

A listinha de jogos terminados da minha infância, com o Super Formation Soccer na posição 29 e o Super Soccer na posição 63

E segue a lista dos itens que foram utilizados para fazer a gravação do gameplay do  Super Soccer, e que já foram mostrados aqui no Skooter Blog:

  1. Elgato – Game Capture HD60 – para a captura do vídeo em formato digital em Full HD e 60fps.
  2. Super Nintendo – modelo norte-americano
  3. Framemeister XRGB Mini – fazendo o upscale da imagem do Super Nintendo para 1080p Full HD.
  4. SD2SNES – o cartucho “mágico” que lê meus jogos a partir de um simples cartão SD e funciona tal qual os cartuchos originais.
  5. Cabo SCART RGB para Super Nintendo (CSYNC) com upgrade para Multicore Coax – levando a imagem RGB, melhor imagem possível de se extrair de um Super Nintendo com hardware original, para o Framemeister.

Sobre o autor

Skooter

Skooter é cientista da computação e fundador do Skooter Blog. Tem interesse em tudo relacionado a tecnologia e gosta de economizar fazendo suas compras diretamente do exterior.

Link permanente para este artigo: http://www.skooterblog.com/2015/11/04/super-soccer-super-nintendo/

Deixar uma resposta