Ubiquiti Cloud Gateway Max após 1 ano e meio de uso: vale a pena?

Em abril de 2025 comecei uma mudança relativamente grande na minha rede doméstica. Depois de muitos anos utilizando roteadores ASUS, entrei no ecossistema UniFi primeiro com um access point Ubiquiti U7 Pro e, pouco depois, com o Ubiquiti Cloud Gateway Max (UCG-Max).

Comprei o UCG-Max-NS em 14 de abril de 2025, na Loja Ubiquiti Brasil, por R$ 1.599,00. Desde então ele se tornou o equipamento central da minha rede, fazendo o roteamento, a autenticação PPPoE da Vivo Fibra e o gerenciamento dos equipamentos UniFi.

Depois de aproximadamente um ano e meio de uso contínuo, já dá para fazer uma avaliação bem diferente daquela que seria possível logo depois da compra. Neste artigo vou contar como foi a migração, o que gostei no UCG-Max, os problemas que encontrei e se hoje faria a mesma escolha.

Por que migrei da ASUS para a Ubiquiti

Antes do UCG-Max, meu roteador principal era um ASUS RT-AX86U. Ele atendia bem em termos de desempenho, mas ocasionalmente parava de funcionar corretamente e precisava ser reiniciado.

Além dele, eu utilizava outro roteador ASUS como access point. Um dos equipamentos que eu usava dessa forma acabou apresentando defeito, com um pequeno componente queimado na placa.

Minha ideia inicial era comprar um modelo ASUS mais novo, já com Wi-Fi 7, e passar o RT-AX86U para a função de access point. O problema era o preço dos modelos mais avançados, especialmente considerando os custos de importação.

Também considerei equipamentos MikroTik, mas a solução da Ubiquiti me pareceu mais amigável para o tipo de rede que eu pretendia montar.

Minha entrada no ecossistema UniFi acabou sendo pelo U7 Pro, um access point Wi-Fi 7. A partir daí, fazia cada vez mais sentido ter também um gateway UniFi, inclusive para não depender de um computador ou NAS executando o software de gerenciamento.

Foi assim que cheguei ao UCG-Max.

O que é o Cloud Gateway Max

É importante destacar que o UCG-Max não possui Wi-Fi integrado. Ele é o gateway da rede, enquanto a parte sem fio fica por conta de access points separados.

Esse conceito é diferente do roteador doméstico tradicional, que normalmente reúne gateway, switch e Wi-Fi no mesmo aparelho.

No meu caso, essa separação acabou sendo uma vantagem. Atualmente utilizo access points U7 Pro, U7 Pro Max e U7 Lite, sendo o U7 Lite utilizado em mesh. Também mantenho dois roteadores ASUS trabalhando como access points em outros pontos da casa, tanto para ampliar a cobertura quanto para aproveitar seus switches Ethernet.

Ubiquiti Cloud Gateway Max
Ubiquiti Cloud Gateway Max

Minha rede com o UCG-Max

Minha conexão é Vivo Fibra de 600 Mbps de download e 300 Mbps de upload.

O ONT da Vivo trabalha em modo bridge e o próprio UCG-Max faz a autenticação PPPoE. Portanto, ele efetivamente substituiu o ASUS como roteador principal.

Minha casa possui cabeamento Cat6 entre os cômodos desde 2012. Na época pode até ter parecido um certo exagero, mas hoje esse cabeamento permite aproveitar as interfaces de 2,5 GbE presentes nos equipamentos mais recentes.

Isso é especialmente interessante porque alguns dos access points UniFi também possuem conexão de 2,5 GbE. Meu computador e outros equipamentos da rede já conseguem aproveitar velocidades superiores a 1 Gbps na rede local.

A topologia exibida pelo UniFi Network também dá uma boa ideia do tamanho que a rede adquiriu ao longo do tempo, com vários switches, access points e dezenas de dispositivos conectados.

Topologia da Minha Rede.
Topologia da Minha Rede.

Desempenho de rede e Wi-Fi 7

Em um teste feito com o WiFiman no meu Samsung Galaxy S25 Ultra, conectado ao U7 Pro Max pela rede de 6 GHz, consegui aproximadamente 1,7 Gbps de download e 1,8 Gbps de upload na rede local.

No mesmo teste, a conexão com a Internet chegou a aproximadamente 613 Mbps de download e 336 Mbps de upload, praticamente aproveitando toda a velocidade disponível na minha conexão.

Teste de Vazão
Teste de Vazão

É um bom exemplo de por que as portas de 2,5 GbE já fazem diferença no meu caso. A Internet continua limitada à velocidade contratada, mas transferências dentro da própria rede podem ultrapassar com folga o limite do Gigabit Ethernet.

UniFi Network no dia a dia

Uma das coisas de que mais gostei na mudança foi a centralização proporcionada pelo UniFi Network.

A interface permite visualizar a topologia, acompanhar clientes, access points, switches, tráfego e diversas estatísticas da rede em um único lugar.

Também utilizo alguns dos recursos de segurança disponíveis que não comprometem o desempenho da conexão, além de algumas regras de firewall para portas e serviços específicos.

As estatísticas de tráfego são particularmente interessantes para entender quais equipamentos e aplicações estão utilizando a rede.

Apesar da grande quantidade de opções, considero a interface bastante amigável. Depois de configurada, a rede também exige pouca intervenção no uso cotidiano.

Uma rede específica para dispositivos IoT

Tenho muitos dispositivos de automação residencial e criei uma rede Wi-Fi específica para eles, chamada CHAPOLIN_IOT.

Ela trabalha somente em 2,4 GHz e utilizo a opção IoT Optimization do UniFi. Entre as opções ativadas está o Force WiFi 4 Mode, que ajuda na compatibilidade com dispositivos IoT mais simples.

Também tenho uma rede para convidados, utilizando o isolamento oferecido pelo próprio UniFi para impedir o acesso à rede local.

Não utilizo uma estrutura complexa de VLANs personalizadas no meu ambiente. Para minhas necessidades, essa organização já tem sido suficiente.

VPN de entrada e de saída

Outro recurso que utilizo bastante são as VPNs.

O UCG-Max permite configurar servidores VPN, e tenho disponíveis WireGuard e Teleport para acessar minha rede remotamente.

Também utilizo o UCG-Max como cliente de VPN. Tenho túneis OpenVPN configurados tanto para acessar uma rede externa quanto através do ProtonVPN.

Isso permite, por exemplo, direcionar determinado tráfego por uma conexão VPN quando preciso acessar serviços que estejam indisponíveis ou bloqueados no Brasil.

Ter essas funções diretamente no gateway é bem mais conveniente do que precisar configurar VPN individualmente em cada dispositivo.

Estabilidade

A estabilidade é provavelmente uma das diferenças que mais percebi em relação à minha configuração anterior.

O UCG-Max nunca travou ou precisou ser reiniciado durante o funcionamento normal da rede.

Houve apenas um episódio relacionado a uma atualização automática. O equipamento instalou a atualização e não voltou corretamente, sendo necessário reiniciá-lo manualmente. Fora esse caso isolado, o funcionamento tem sido bastante confiável.

Ele também é um equipamento que trabalha bem quente, algo perceptível simplesmente tocando no gabinete. Apesar disso, não tive problemas de estabilidade relacionados à temperatura.

As atualizações do UniFi também têm sido frequentes e novos recursos aparecem ao longo do tempo, o que é um aspecto positivo da plataforma.

O problema de acessar o ONT em modo bridge

Uma das poucas coisas que realmente sinto falta é uma maneira simples e permanente de acessar a interface do ONT enquanto ele está trabalhando em bridge.

Eu já tinha esse problema com o ASUS, mas utilizava um script que permanecia funcionando continuamente e permitia o acesso.

No UniFi também é possível contornar a situação com um script, porém as alterações acabam sendo sobrescritas depois de algum tempo, o que torna a solução menos conveniente.

Eventualmente também preciso colocar o ONT novamente em modo router para que ele possa atualizar seu firmware.

É uma situação bastante específica, mas, para minha utilização, é provavelmente uma das maiores inconveniências que ainda tenho com a configuração atual.

QoS: um recurso que gostaria de utilizar

Outro ponto que merece atenção é o QoS e os recursos de priorização de tráfego.

Alguns desses recursos exigem processamento adicional e podem limitar o throughput. A própria interface alerta para limitações relevantes em conexões acima de aproximadamente 300 Mbps.

Como minha Internet é de 600 Mbps, prefiro não utilizar uma configuração que possa reduzir pela metade a velocidade disponível apenas para ter priorização de tráfego.

Esse é um dos motivos pelos quais, se fosse montar a rede novamente hoje e encontrasse um modelo superior por uma diferença de preço razoável, talvez considerasse investir em mais capacidade de processamento.

Não porque o UCG-Max esteja apresentando falta de desempenho no uso normal — ele entrega meus 600 Mbps sem problemas —, mas porque uma folga maior permitiria ativar recursos adicionais sem sacrificar throughput.

UCG-Max-NS, SSD e UniFi Protect

Comprei a versão UCG-Max-NS, que veio sem SSD.

Posteriormente adquiri a bandeja para SSD da própria Ubiquiti por R$ 199,00 e instalei um Samsung SSD 970 EVO de 500 GB que eu já possuía.

Minha intenção era utilizar o armazenamento com o UniFi Protect.

Tenho duas câmeras BESDER 8MP PTZ Wi-Fi, ambas com suporte a ONVIF. O Protect consegue reconhecê-las e fazer a gravação, portanto o suporte a câmeras de terceiros é útil.

O problema é que boa parte dos recursos mais interessantes do Protect fica disponível de forma bem mais limitada quando são utilizadas câmeras ONVIF de terceiros. O melhor aproveitamento da plataforma continua dependendo das próprias câmeras UniFi.

Por que voltei para o Surveillance Station

Eu já possuo um Synology DS918 e ele oferece o Surveillance Station.

No meu caso, essa acabou sendo uma solução mais interessante. O sistema atende muito bem às minhas duas câmeras e as duas licenças incluídas são justamente suficientes para a quantidade de câmeras que possuo.

Por isso, apesar de ter comprado a bandeja e instalado o SSD no UCG-Max, atualmente não utilizo o UniFi Protect para minhas gravações.

Na prática, a compra da bandeja acabou não sendo necessária para minha utilização atual.

Isso pode mudar no futuro caso eu compre câmeras UniFi. Nesse cenário, já tenho o armazenamento instalado e pronto para utilizar o Protect.

O que mais gostei depois de um ano e meio

O principal ponto positivo é a estabilidade. O UCG-Max simplesmente fica funcionando, que é exatamente o comportamento que espero do equipamento responsável por toda a rede da casa.

Também destacaria as interfaces de 2,5 GbE. Elas não estão ali apenas para constar na ficha técnica: no meu ambiente já consigo ultrapassar 1 Gbps em conexões locais, especialmente utilizando Wi-Fi 7.

O UniFi Network também é um grande diferencial. Topologia, estatísticas, gerenciamento dos access points, clientes, VPNs, regras e configurações ficam centralizados em uma interface bastante completa.

Outro aspecto de que gosto é justamente a possibilidade de separar gateway e Wi-Fi. Posso atualizar ou reposicionar os access points sem precisar substituir o equipamento responsável pelo roteamento.

O que poderia ser melhor

Depois desse período de uso, meus principais pontos negativos são:

  • o equipamento trabalha bastante quente;
  • o acesso à interface do ONT em bridge poderia ser mais simples;
  • determinados recursos de QoS podem reduzir significativamente o desempenho em conexões mais rápidas;
  • o UniFi Protect oferece uma experiência bastante mais limitada com câmeras ONVIF de terceiros;
  • a bandeja para SSD precisa ser adquirida separadamente na versão NS.

Nenhum desses pontos chegou a comprometer minha experiência geral, mas são questões que eu consideraria antes da compra.

Valeu a pena comprar o Ubiquiti Cloud Gateway Max?

Para mim, sim.

Paguei R$ 1.599,00 pelo UCG-Max em abril de 2025 e, depois de aproximadamente um ano e meio de uso, considero que foi uma boa compra.

A mudança da ASUS para a arquitetura UniFi resolveu principalmente o problema de estabilidade que eu tinha anteriormente e abriu espaço para expandir a rede de forma mais organizada.

Hoje tenho vários access points, equipamentos cabeados em 2,5 GbE, Wi-Fi 7, VPNs e dezenas de dispositivos sendo administrados pelo mesmo sistema.

Se meu UCG-Max apresentasse defeito hoje e eu precisasse substituí-lo, compraria novamente.

A única ressalva é que também avaliaria os modelos superiores disponíveis naquele momento. Se a diferença de preço não fosse muito grande, uma capacidade de processamento maior seria interessante principalmente para poder utilizar recursos como QoS sem comprometer uma conexão de 600 Mbps ou mais.

Mas isso não muda minha avaliação do UCG-Max: para aquilo que comprei para fazer, ele vem cumprindo muito bem seu papel.

Review em vídeo

No vídeo abaixo mostro o Ubiquiti Cloud Gateway Max depois de aproximadamente um ano e meio de uso, incluindo minha rede, testes de desempenho, recursos que utilizo e os problemas que encontrei.

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado