O Audio-Technica AT2035 é meu principal microfone desde março de 2025. Uso-o praticamente todos os dias no meu home office, principalmente em videoconferências e aulas, além de gravações de voz e, mais ocasionalmente, música.
Ele substituiu meu antigo Fifine K670, um microfone USB que me atendeu bem durante alguns anos, mas que apresentava um problema bastante incômodo de desconexões devido à conexão USB no próprio microfone.
A mudança coincidiu com a chegada da PreSonus Studio 24c ao meu setup. Como agora eu tinha uma interface com entradas XLR e phantom power, fazia sentido aproveitar essa estrutura para fazer também um upgrade no microfone.
Depois de mais de um ano e meio de uso, neste review conto como tem sido minha experiência com o AT2035, suas vantagens e limitações e se acredito que vale a pena utilizar um microfone desse nível em um PC.
Review em vídeo
Confira também o review do Audio-Technica AT2035 no canal Skooter Reviews:
Compra do Audio-Technica AT2035
Comprei o AT2035 na Amazon em 18 de março de 2025, vendido pela própria Amazon.com.br.
O microfone custou R$ 1.267,30. Ele fazia parte de um pedido com outros produtos, que recebeu um desconto adicional, mas esse era o preço individual apresentado para o AT2035.
Na época, eu já havia comprado a PreSonus Studio 24c e procurava um microfone XLR que aproveitasse melhor a nova interface.
Do Fifine K670 para um microfone XLR
Minha história com microfones para computador mudou bastante nos últimos anos.
Em 2020, durante a pandemia, comprei o Fifine K670. Até então eu estava recorrendo a um antigo microfone dinâmico LeSon SM58, uma mesa Wattsom de seis canais e a entrada de áudio do computador.
O Fifine resolveu boa parte do problema de maneira muito mais simples. Como era USB, não precisava de interface de áudio: bastava conectá-lo ao computador.
Curiosamente, naquele review de 2020 eu cheguei a considerar a possibilidade de comprar uma interface de áudio e um microfone XLR, mas concluí que o investimento não se justificava para minha necessidade naquele momento.
Cinco anos depois, acabei justamente com essa configuração.
O K670 continuava entregando uma qualidade de áudio razoavelmente boa, mas sua conexão USB passou a me incomodar. O conector no próprio microfone desconectava com relativa facilidade e eventualmente era necessário mexer no cabo para restabelecer a conexão.
Ao mesmo tempo, minhas necessidades haviam mudado. Com a compra da PreSonus Studio 24c, passei a ter entradas XLR, phantom power, entrada para guitarra e saídas balanceadas para minhas Edifier MR4.
O upgrade para um microfone XLR passou então a fazer muito mais sentido.
Por que escolhi o Audio-Technica AT2035?
Um dos modelos que considerei foi o Audio-Technica AT2020, o modelo mais simples da linha.
O AT2035 chamou minha atenção principalmente pelos reviews bastante positivos e pela sua assinatura sonora. Eu procurava um microfone que entregasse voz clara e natural e que representasse um avanço em relação ao Fifine.
Além disso, o AT2035 apresenta algumas vantagens técnicas em relação ao AT2020, incluindo menor ruído próprio, maior sensibilidade e maior faixa dinâmica.
Ele também possui filtro passa-altas de 80 Hz, pad de -10 dB e acompanha um shock mount.
No meu caso, entretanto, nunca precisei utilizar nem o filtro de 80 Hz nem o pad de -10 dB. Portanto, não tenho experiência prática suficiente para avaliar a utilidade desses dois recursos no meu uso.
O shock mount, por outro lado, é utilizado permanentemente.

Construção e acessórios
O AT2035 transmite uma excelente impressão de construção e, depois de mais de um ano e meio de uso, continua em perfeito estado.
O mesmo vale para o shock mount que acompanha o microfone.
Utilizo o conjunto preso a um braço articulado na minha mesa. Isso permite posicionar o microfone exatamente onde quero durante o uso e afastá-lo quando necessário.
Não tive problemas de folgas, ruídos mecânicos ou qualquer outro defeito durante esse período.
Qualidade de áudio
A diferença em relação às soluções que utilizei anteriormente é perceptível.
Comparado ao Fifine K670, considero que o AT2035 apresenta melhorias na clareza, naturalidade da voz, nível de ruído e qualidade geral da gravação.
A voz fica bastante clara e agradável, sem parecer excessivamente fina ou artificial.
Para videoconferências talvez seja um nível de qualidade maior do que a maioria das pessoas realmente necessita, mas a diferença é perceptível para quem está do outro lado.
Em gravações de conteúdo, aulas ou outras situações nas quais a qualidade da voz é importante, o benefício se torna ainda mais relevante.
O AT2035 capta muito ruído?
Aqui chegamos a uma das características mais importantes da minha experiência com o AT2035.
Meu escritório não possui tratamento acústico.
E o AT2035 capta bastante coisa ao redor.
Um microfone condensador sensível não consegue distinguir automaticamente minha voz dos sons do ambiente. Ele também registra reflexões da sala, teclado, ventiladores e outros ruídos.
Isso não significa que o padrão cardioide seja ineficiente.
Na minha experiência, o AT2035 apresenta boa rejeição aos sons que chegam pela parte traseira. Porém, um padrão cardioide não transforma o microfone em um sistema de isolamento acústico.
Curiosamente, esse é um problema com o qual eu já lidava na época do Fifine K670.
Por que uso o microfone tão próximo?
Normalmente mantenho o AT2035 aproximadamente 15 a 20 centímetros da boca.
Ele fica ligeiramente fora do eixo, aproximadamente a 45 graus, para que o fluxo de ar produzido em sons como P e B não atinja diretamente a cápsula. Isso ajuda a reduzir os plosivos.
O braço articulado é fundamental para conseguir manter essa posição de maneira confortável.
Pode parecer mais conveniente deixar o microfone distante, talvez até fora do enquadramento ou simplesmente sobre a mesa.
O problema é que, ao aumentar a distância, é necessário aumentar também o ganho para manter a voz em um nível adequado.
E o ganho não aumenta apenas a voz.
Ele aumenta também os sons do ambiente e, principalmente, torna mais perceptíveis as reflexões acústicas da sala.
Nas soluções que experimentei, colocar o microfone mais distante acabou resultando em mais ruído e mais reverberação, além de piorar a relação entre minha voz e o ambiente.
Por isso, mesmo utilizando um microfone de qualidade consideravelmente superior ao Fifine, continuo preferindo mantê-lo relativamente próximo.
Usando o AT2035 com a PreSonus Studio 24c
Meu AT2035 fica permanentemente conectado por XLR à PreSonus Studio 24c.
Como é um microfone condensador, ele necessita de phantom power de 48 V, fornecido diretamente pela interface.
No meu uso, o controle de ganho da Studio 24c fica relativamente próximo do máximo.
Existe uma faixa relativamente pequena entre um nível que considero baixo demais e um sinal que já começa a se aproximar da saturação.
Nesse aspecto, os medidores do painel frontal da PreSonus são muito úteis. Posso falar normalmente enquanto ajusto o ganho e acompanhar imediatamente o nível do sinal.
Depois de encontrado o ponto adequado, o conjunto funciona de maneira bastante consistente.
AT2035 e NVIDIA Broadcast
Como meu escritório não possui tratamento acústico, utilizo o NVIDIA Broadcast para remover ruídos indesejados.
A combinação funciona muito bem.
O AT2035 fornece um sinal de voz de boa qualidade e, mantendo-o próximo da boca, já consigo uma relação favorável entre voz e ambiente. O NVIDIA Broadcast então remove boa parte dos ruídos restantes.
É dessa maneira que utilizo o microfone diariamente em videoconferências e aulas.
Há uma curiosidade histórica aqui.
Quando publiquei meu review do Fifine K670, em 2020, eu já utilizava o então NVIDIA RTX Voice justamente para reduzir ruídos captados pelo microfone.
Cinco anos depois, troquei o microfone USB por um AT2035, passei a utilizar uma interface dedicada e atualizei diversas vezes o hardware do computador.
Mas a acústica do escritório continua sendo a acústica do escritório.
Um microfone melhor não faz o ambiente desaparecer.
Atualmente o NVIDIA Broadcast também possui recursos mais sofisticados de processamento, incluindo uma opção que procura simular características de áudio de estúdio. No meu computador, entretanto, esse recurso acaba sendo pesado demais para ser utilizado de maneira prática junto com minhas demais tarefas, mesmo com uma RTX 4060 Ti.
A remoção convencional de ruído, por outro lado, funciona muito bem para minha necessidade.
Equalização e Voicemeeter
Durante algum tempo também utilizei o Voicemeeter para processar a voz.
Com alguma equalização era possível deixar os graves mais encorpados e os agudos um pouco mais brilhantes.
Gostava do resultado, mas acabei abandonando o Voicemeeter por problemas que tive com o software.
Ainda pretendo experimentar uma solução semelhante utilizando uma DAW ou outro software de processamento, mas abrir uma DAW relativamente pesada apenas para equalizar a voz de uma videoconferência me parece um pouco exagerado.
Por enquanto, continuo procurando uma solução mais simples que me agrade.
E para gravação de música?
Embora o AT2035 seja um microfone perfeitamente adequado para aplicações musicais, minha experiência de longo prazo com ele é principalmente com voz.
Eventualmente utilizo o equipamento em atividades relacionadas à música, mas tenho tido pouco tempo para me dedicar a isso.
Tenho também um violão acústico e pretendo experimentar o AT2035 para captá-lo, mas ainda não fiz esse teste.
Por esse motivo, não vou tentar avaliar aqui seu desempenho para gravação de instrumentos com base apenas em especificações ou na experiência de outras pessoas.
Vale a pena para videoconferências?
Se a única finalidade for participar ocasionalmente de videoconferências, o AT2035 provavelmente é exagerado para muita gente.
Um headset razoável, um microfone USB ou até mesmo o microfone integrado de uma boa webcam podem atender perfeitamente esse tipo de uso.
Além disso, o AT2035 não possui USB.
É necessário utilizar uma interface de áudio ou outro equipamento com entrada XLR e phantom power de 48 V, aumentando significativamente o custo total do sistema.
Por outro lado, para quem participa frequentemente de reuniões, dá aulas remotamente ou simplesmente valoriza bastante a qualidade com que sua voz chega às outras pessoas, a diferença é perceptível.
Para produção de conteúdo, podcasts, gravação de voz e música, o investimento passa a ser ainda mais justificável.
Um microfone XLR muda o sistema inteiro
Uma das maiores diferenças em relação ao Fifine K670 não está necessariamente no próprio microfone.
O Fifine era um periférico USB independente.
O AT2035 faz parte de um sistema de áudio.
No meu caso, a mesma PreSonus Studio 24c recebe o microfone em uma entrada, permite conectar uma guitarra na outra e ainda envia áudio através de conexões balanceadas para minhas Edifier MR4.
Isso oferece muito mais flexibilidade do que simplesmente trocar um microfone USB por outro.
Naturalmente, também exige mais equipamentos e custa mais.
Vale a pena comprar o Audio-Technica AT2035?
Depois de mais de um ano e meio utilizando o AT2035, eu provavelmente compraria o mesmo microfone novamente caso precisasse substituí-lo hoje.
Naturalmente pesquisaria novamente as alternativas disponíveis, porque preços e produtos mudam com o tempo.
Mas, dentro dessa categoria, não conheço atualmente alguma opção que considere claramente superior sem partir para uma faixa de preço consideravelmente maior.
Não encontrei problemas de construção, funcionamento ou alguma característica específica que hoje me faça desejar ter escolhido outro modelo.
É claro que eu gostaria que ele captasse apenas minha voz e ignorasse completamente o restante do escritório.
Também seria ótimo poder deixá-lo muito mais distante e obter exatamente a mesma qualidade.
Mas minha experiência mostrou justamente que essas expectativas dizem mais respeito à acústica e à física da captação do que à qualidade do AT2035.
Um bom microfone não elimina a necessidade de posicionamento adequado e também não substitui tratamento acústico ou processamento quando o ambiente exige.
Cinco anos atrás, quando comprei o Fifine K670, considerei uma interface de áudio e um bom microfone XLR um investimento difícil de justificar.
Hoje, o conjunto formado pelo Audio-Technica AT2035 e pela PreSonus Studio 24c é justamente o sistema que utilizo praticamente todos os dias.
E não tenho um estúdio profissional.
O AT2035 fica em um escritório comum, sem tratamento acústico, sendo utilizado principalmente para reuniões, aulas e produção de conteúdo.
Nesse cenário, ele tem entregado uma voz clara e natural, excelente confiabilidade e uma qualidade consideravelmente superior às soluções mais simples que utilizei anteriormente.
Para minha necessidade, foi um upgrade que valeu a pena.
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