Lucrando com a burrice alheia (ou com a própria)

Estava eu analisando os logs de acesso desse blog como faço rotineiramente e notei algo curioso: a string mais utilizada nos sites de busca (principalmente o Google) pelas pessoas que entraram aqui é “A 1ª Vez de Rita Cadillac”. Fiquei curioso em saber porque é que o Google está enviando para cá os visitantes que procuram o filme pornográfico da ilustre velhinha, afinal devem haver inúmeros sites que falam do filme por aí, o que não é o caso deste. Além disso esse site fala de muitos outros assuntos que ficam bem longe da primeira colocação da “Rita”.
Descobri que a primeira citação da referida senhora neste blog foi em um post que coloquei aqui sobre a última vez que o Corinthians ganhou do São Paulo, um texto que recebi por e-mail e me limitei a reproduzí-lo aqui. Nesse texto era citado que na última vez que o Corinthians ganhou do São Paulo (o que realmente faz muuuito tempo) “Rita Cadillac não tinha feito filme pornô…. nem o Alexandre Frota”.

Encontrada então a primeira citação do nome da “atriz”, mas isso ainda não explica o porque de tantas visitas, afinal muitos sites devem citá-la também e muitos devem ser exclusivos sobre ela, e obviamente teriam preferência nos sistemas de busca para uma busca com o nome dela.

Foi aí que me dei conta de um detalhezinho importantíssimo. A grafia correta do nome artístico da referida “atriz” é “Rita Cadilac” (com apenas um L) e não “Rita Cadillac”. Ou seja, ao reproduzir o texto sem revisá-lo e checar o nome eu sem querer me aproveitei da burrice alheia (a dos visitantes que não sabem o nome da “Ritinha”) para atrair visitas para cá. No título fiz alusão a minha própria burrice também porque tal fato aconteceu sem querer, fui eu quem não checou se a grafia estava correta.

Mas isso me fez refletir sobre um recurso que vem sendo muito utilizado por espertinhos querendo maximizar seus lucros, que é criar páginas com várias grafias incorretas para atrair visitas. É certo que muita gente irá escrever errado e o retorno será garantido, muitas páginas na internet podem falar da “Rita Cadilac”, assim falar sobre ela tornará sua página apenas mais uma dentre muitas e provavelmente seu posicionamento nos sites de busca não será dos melhores, mas falar sobre a “Rita Cadillac” (escrito errado) certamente te tornará um dentre poucos, e isso poderá lhe garantir uma boa posição nos sites de busca para essas buscas erradas.

Podemos ir além, uma fabricante de carros por exemplo poderia escrever algumas grafias erradas de seus concorrentes, algo como Wolksvagen, Chevrole, Fiet, e redirecioná-las para o site de sua própria fábrica, atraindo assim a atenção das pessoas “burras” interessadas em carros da Volkswagen, Chevrolet e Fiat para os carros de sua própria fábrica. Não procurei aqui exemplos reais dessa prática, mas esteja certo de que ela ocorre bastante.

Podemos ir além, é muito fácil registrar domínios na internet com essa grafia errada, assim alguém poderia registrar www.wolksvagen.com.br e redirecioná-lo para o site de sua fábrica (aliás, acho que só não está ocorrendo isso com esse domínio porque esse domínio está bloqueado pelo Registro.br). Eu mesmo tenho um exemplo a citar, certa vez registrei apenas por brincadeira o domínio www.unimep.com, para fazer um site paródia sobre a universidade de mesmo nome, cujo site real é www.unimep.br. E não é que de repente o site começou a receber vários acessos de pessoas que digitavam a URL errada? Além disso recebi inúmeros e-mails direcionados a professores e funcionários da universidade, vindo de pessoas que simplesmente erraram ao digitar o endereço de e-mail e colocaram o domínio trocado. Obviamente a intenção de criar o domínio não era essa, mais uma vez foi sem querer. Todos os e-mails recebidos foram descartados sem maiores prejuízos além do fato de o destinatário nunca recebê-lo. Mas uma pessoa mal intencionada poderia facilmente utilizar-se de tal prática para fins menos éticos, como responder com ofertas aos clientes que tentaram escrever para o concorrentes, mas erraram o endereço; ou até mesmo receber informação sigilosa de funcionários desatentos que erram ao digitar o domínio do e-mail de colegas de trabalho ou parceiros.

Enfim, são inúmeras as possibilidades de lucrar com a burrice alheia. O Google até inventou uma solução paliativa para isso que é apresentar no topo dos resultados de busca uma frase como “Você quis dizer:” seguido da palavra pesquisada na grafia correta, para todos os erros mais comuns e até alguns incomuns.

Essa correção automática até gerou uma série de piadas sobre algumas correções inusitadas, como a coreção apresentada ao digitar “todo goiano é viado”, em que o Google solta um “Você quis dizer: ‘todo baiano é viado'”. Os baianos não gostaram, mas a tal “correção” já vem ocorrendo há meses e continua sendo feita até hoje.
Mas enfim, essa é outra história… vou ficando por aqui que esse post já está longo demais 🙂

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