[Review] A Guerra dos Consoles. Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu Uma Geração

Recentemente terminei de ler A Guerra dos Consoles. Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu Uma Geração, livro de Blake J. Herris. Neste artigo deixo minhas impressões.

Quase desisti do livro antes mesmo de começar por conta do prefácio bobo. Mas quando iniciei o prólogo a história ficou interessante e começou a me prender.

A Guerra dos Consoles é diferente do que eu imaginava. Não é um livro sobre jogos, mas sim sobre os homens de negócio por trás das duas empresas que protagonizaram a guerra: Sega e Nintendo.

O livro foca mais na Sega do que na Nintendo, o que considero aceitável, uma vez que a Nintendo era a líder absoluta de mercado na terceira geração, pois o Master System passou quase despercebido nos EUA. Então foi a Sega que precisou se mexer e lutar para ganhar mercado e eventualmente conseguir pouco mais da metade dele.

Mas em muitos momentos o livro se parece com uma biografia de Tom Kalinske, presidente da Sega dos EUA na época da guerra dos consoles. Nos agradecimentos do final fica claro o motivo. Aparentemente foi  Kalinske quem deu mais atenção ao autor, e muito provavelmente forneceu mais material. Isso explica porque Kalinske aparece muito mais que os demais personagens. Ainda assim, a leitura não deixa de ser muito interessante.

De fato, o livro começa e termina com Tom Kalinske. Começa com a chegada dele na Sega, e termina com sua saída. Mas isso também me parece aceitável, afinal a guerra só começou quando Kalinske assumiu a empresa. Até então, o Mega Drive estava destinado a ser um mero figurante, como fora o Master System. E essa guerra ocorreu apenas na quarta geração de consoles. Kalinske saiu após o lançamento do Saturn, que já representava a quinta geração, a qual a Sony dominou com o Playstation. Assim, não concordo com algumas críticas de que o livro acaba abruptamente, ele acaba quando a guerra de fato acaba, com uma terceira empresa chegando ao mercado e assumindo a ponta.

No final das contas eu gostei bastante de A Guerra dos Consoles. Não é um livro que eu recomendaria para qualquer pessoa. Não é nem mesmo um livro que eu recomendaria para qualquer um que goste de videogames. É um livro para quem viveu a quarta geração de consoles: aqueles que tiveram um Mega Drive, um Super Nintendo, ou ambos; que comparavam qual console tinha a melhor versão de um determinado jogo e participavam de altas discussões para defender o seu console favorito. Estes eu acredito que vão gostar, assim como eu gostei.

Algumas críticas ao livro são quanto aos diálogos recriados que às vezes parecem improváveis, e outras ao viés pro-Kalinske. De fato, o livro talvez force um pouco a barra mostrando Kalinske sempre agindo como um gênio, e todo revés é atribuído às ações da Sega do Japão, incluindo aí o lançamento do 32X, ofuscado pelo Donkey Kong Country, que mostrava que o Super Nintendo ainda tinha muito para oferecer sem precisar de add-ons.

Também li críticas de que o livro trata apenas do que ocorreu nos EUA, ignorando Japão, Europa, America do Sul, etc. Nesse ponto eu também discordo. A guerra dos consoles é algo que ocorreu apenas nos EUA. No Japão o Mega Drive amargou um triste terceiro lugar, atrás até mesmo do PC Engine, que nos EUA foi apenas um figurante.

No Brasil definitivamente não houve guerra dos consoles. Nós acompanhávamos a briga americana através das revistas de games, nós fazíamos as nossas próprias guerras defendendo nossos consoles favoritos, mas o fato é que só o Mega Drive foi lançado no Brasil pela Tec Toy desde o “início” (na verdade em 1990, um ano após o lançamento nos EUA e dois anos após o lançamento no Japão). O Super Nintendo só chegou pela Playtronic três anos depois, em 1993. E, de qualquer forma, a grande maioria dos Mega Drive e Super Nintendo vendidos no Brasil eram do mercado cinza. Então não, não tivemos guerra dos consoles por aqui.

Mas voltando aos EUA, a pergunta que deixo para os leitores é: quem você acha que ganhou essa guerra? A Guerra dos Consoles não aponta um vencedor. Se analisarmos o futuro e o que ocorreu nas gerações seguintes podemos dizer que foi a Nintendo, afinal ela está aí até hoje como fabricante de consoles com o Nintendo Switch, enquanto a Sega abandonou o mercado de consoles após o Saturn e o Dreamcast, e ficou apenas desenvolvendo jogos.

Por outro lado, se olharmos para o passado, vemos que a Sega saiu do nada na terceira geração para conquistar mais da metade do mercado, chegando a 55% em certo momento. A Nintendo teve que amargar a perda de uma liderança absoluta e dividir o mercado com a nova concorrente. Nesse ponto, podemos considerar a Sega como uma vencedora.

Mas se forcarmos apenas na quarta geração a resposta fica menos óbvia. A Sega lançou seu console primeiro e conseguiu roubar mercado da Nintendo, chegando aos 55% que já mencionei, mas no final ela se perdeu com o lançamento dos add-ons Sega CD e 32X, e a Nintendo se recuperou com lançamentos de peso como Donkey Kong Country e um marketing mais agressivo, ainda que nunca tão agressivo quanto o da Sega. No final a Nintendo acabou vendendo mais Super Nintendos do que a Sega vendeu Mega Drives nos números oficiais dos EUA.

E aqui ainda temos um outro fator que acho muito relevante e quase ninguém fala: os Super Nintendo vendidos no Brasil até 1993 eram quase todos americanos. Eu nunca nem vi um Super Famicom pessoalmente, então podemos considerar que nós brasileiros ajudamos a inflar os números da Nintendo nos EUA. Alguém poderia alegar que fizemos o mesmo pela Sega, mas eu me recordo que os Sega Genesis no Brasil eram exceção. Eu tive um, mas não conheci ninguém além de mim que tinha. A maioria dos Mega Drive que meus colegas tinham eram modelos japoneses, e outros poucos eram da Tec Toy. Ainda assim, a diferença em favor da Nintendo fica na casa dos 5 milhões de unidades, e o mercado cinza da America do Sul toda não deve ter chegado nem próximo disso.

Minha conclusão é que a Nintendo era a óbvia favorita nessa guerra, mas a Sega saiu na frente e com um bom marketing conseguiu surpreender e fazer um bom jogo, estando na frente em alguns momentos. Mas no final a Sega vacilou, a Nintendo se recuperou e venceu a guerra.

Mas não quero ser o dono da verdade, então eu pergunto: e você, leitor, quem você acha que ganhou a guerra dos consoles? E qual seu console de quarta geração favorito? Já leu A Guerra dos Consoles? O que achou? Diga aí nos comentários.

A Guerra dos Consoles. Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu Uma Geração.

A Guerra dos Consoles. Sega, Nintendo e a Batalha que Definiu Uma Geração.

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bruno

Parabéns pelo review, chegou ontem a minha cópia estava ansioso pra ler, relembrar a época em que vc poderia gostar da sega ou nintendo mais nunca os dois, tinha que escolher um lado kkkkkkkkk.

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