ago 18 2014

Atari 2600

Havia encerrado a série de artigos sobre consoles clássicos no último artigo. Como o artigo ficou sem um único comentário acho que a série não foi muito bem recebida :(. Depois, continuando a arrumação dos armários acabei encontrando mais alguns itens interessantes que preciso documentar, ainda que ninguém leia ou se importe.

Começarei com alguns jogos e um único acessório do Atari 2600. Antes, um pouco da história: o Atari 2600 foi meu primeiro console de videogame. Ainda me lembro que no final de 1987 meu pai me levou nas Lojas Cem para comprar o Atari 2600. Ele foi embrulhado para presente, e depois foi entregue para o Papai Noel. Fiquei na expectativa e no dia 25/12/1987 o Papai Noel deixou o pacote no meu quarto enquanto eu dormia. Logo que acordei abri o pacote e fomos fazer a instalação, que de início foi um tanto frustrada. A TV era uma Sharp, como essa da foto aí embaixo, porém mais conservada obviamente pois, assim como eu, ela também era bem mais nova naquela época. Era também a única TV da casa. Consegui a foto graças a uma vendedora do Mercado Livre que está vendendo-a por R$ 70,00, vou até linkar o anúncio e dar uma força pra ela como agradecimento.

TV Sharp anos 70/80

TV Sharp anos 70/80

Meu pai conectou a chave comutadora de antena nos terminais de entrada da antena de VHF da TV. Só havia antena de UHF conectada nessa TV, pois na época não havia canais em VHF na minha região. A TV “memorizava” apenas 8 canais, que são os 8 botõezinhos ali, mas acho que na época era só isso que havia de canais abertos mesmo. Apesar de estar apenas no início do início de minha alfabetização eu já conseguia ler o manual, pois fui alfabetizado na escola pública dos anos 80. Hoje em dia, graças a completa paulofreirização da educação, a molecada completa o ensino médio mal sabendo ler e escrever.

Quando li que era preciso sintonizar o Atari 2600 nos canais 2 ou 3, achamos que teria que ser no botão 2 ou 3 dos 8 botões ali da TV, só muito mais tarde fui entender como funciona a canalização em VHF. A sintonização é toda manual, como em todas as TVs da época, então é preciso ir girando um botãozinho até achar o sinal. Também é preciso selecionar com outra chavinha entre VHF A (baixo), VHF B (alto), e UHF. Não me lembro exatamente, mas acho que não estávamos encontrando o sinal do Atari 2600 por algum motivo.

Meus pais até tentaram pedir ajuda para dois vizinhos (irmãos), que eram um tanto mais velhos que eu. Eles tinham um Atari 2600 e certamente poderiam fazer a instalação rapidinho, mas se recusaram a ajudar. Tudo bem, acabamos conseguindo sozinhos. Alguns anos mais tarde era eu quem instalava os videogames da molecada da vizinhança, mas ao contrário daqueles dois, eu não me recusava a perder uns minutinhos ainda que fosse um domingo ou feriado. Ironicamente, alguns anos depois também fui eu quem instalou os videogames dos filhos dos dois caras que se recusaram a me ajudar quando precisei: um Playstation One e um Nintendo 64. Poderia ter recusado também, mas como diz o grande Don Ramón: “La venganza nunca es buena, mata el alma y la envenena.”

Mas voltando à instalação do Atari 2600, imagine a felicidade da criança quando a imagem do Enduro finalmente surgiu na tela. O Enduro é o cartucho que veio com o meu Atari 2600. Era o modelo da Polyvox, ainda com 4 chaves, e joysticks removíveis, mas já com a fonte interna. Um tempo depois lançaram o Atari 2600S, aquela versão capada com chaves estranhas, sem a chave “Color – B/W”, e com joysticks não-removíveis. Sei que dei sorte de pegar o último modelo decente da Polyvox. Me lembro até que no lugar onde normalmente seria conectada a fonte havia apenas uma borrachinha tampando o buraco no plástico. Aparentemente fizeram a nova placa com a fonte interna mas quiseram aproveitar as caixas plásticas que ainda estavam no estoque antes de lançar o 2600S.

Um tempo depois, meus pais provavelmente já estavam cansados de ver a TV e a sala da casa sempre ocupada por mim e eventualmente pela molecada da vizinhança, e resolveram comprar uma TV para por no meu quarto e colocar o videogame lá. Era uma TV preto-e-branco usada, que na época já era antiga, daquelas que só tem VHF e precisam de um conversor de UHF e um transformador, que é como um estabilizador, porém com uma chave de 10 posições e um ponteiro para ajustar a tensão. Não lembro nem a marca da TV, mas o conversor de UHF era parecido com esse aí embaixo.

Conversor de UHF

Conversor de UHF

Então por um bom tempo eu joguei o Atari 2600 em preto-e-branco, e sei muito bem da importância da chave “Color – B/W” que a Polyvox limou não muito tempo depois. Em vários jogos, como o “Pele’s Soccer” por exemplo, não é possível distinguir os jogadores de um time e de outro em uma TV preto e branco, pois um time é laranja e o outro é azul, mas as intensidades são quase iguais, então na TV preto-e-branco fica quase tudo igual. Mudando a chave para B/W fica um time preto e outro branco. Aí sim dá para enxergar perfeitamente.

A TV preto-e-branco era terrível. Perdi as contas de quantas vezes ela precisou ser consertada. Estava lá jogando numa boa e de repente a imagem fechava e voltava alguns instantes depois. Cada vez isso se tornava mais frequente e cada vez o sumiço da imagem demorava mais tempo. Aí era preciso trocar o flyback e então a TV ficava boa novamente por mais algumas semanas, mas depois o problema voltava. Até que um belo dia a TV preto-e-branco foi trocada por outra Sharp igual à primeira. Essa foi a TV na qual joguei o Master System II, meu primeiro Mega Drive (um Genesis modelo 1), e o Super Nintendo. Até o ponto em que o tubo já estava tão ruim que mal dava para ler texto na tela, de tão borrado que ficava. Aí finalmente ganhei uma TV Peconic, a primeira que tive com entradas A/V. Mas a essa altura eu já não tinha mais o Atari 2600.

O Atari 2600 também passou por algumas manutenções ao longo de sua vida comigo: se não me falha a memória foram duas passagens pela assistência técnica autorizada para trocar o compartimento de cartuchos. Aparentemente o socket não aguentava as trocas constantes e os tantos cartuchos de qualidade duvidosa que apareciam. Já os joysticks eu perdi as contas de quantas trocas de torre foram necessárias. Curiosamente nunca quebraram na minha mão, era sempre algum amigo que estava jogando e ficava com a base em uma mão e a torre na outra. Acho que eu sabia que o joystick era digital e que era inútil forçá-lo, mas vai botar isso na cabeça daquele pessoal que estavam a frente de seu tempo e jogavam com o Atari 2600 da mesma forma que jogam o Wii. Lembro até que surgiu na época uma “torre de nylon” que duraria mais. De fato ela não quebrava, mas ia trincando toda e o controle ficava péssimo.

O Atari 2600 foi vendido em meados dos anos 90, para aquisição de um Super Nintendo. Também se foram mais ou menos na mesma época o meu Master System II e meu Sega Genesis modelo 1. Naquela época eu lembro que tinha quatro joysticks, os dois originais e mais dois que ganhei. Os quatro joysticks e o “Enduro” foram vendidos junto com o console, mas não me lembro se e quantos cartuchos foram junto. Sei que ao longo do tempo em que tive o Atari 2600 cheguei a ter vários cartuchos, algo que não se repetiu com os consoles futuros em que eu praticamente só alugava, pois os preços eram altos.

Me lembro que o primeiro cartucho que ganhei depois do Enduro, que veio com o console, foi um cartucho duplo com “River Raid” e “Fantastic Voyager”. Os demais eu não lembro mais a ordem em que foram adquiridos, mas um dos mais memoráveis foi um cartucho duplo com “Ms. Pac Man” e “Tapper”. O primeiro é a versão mais decente de Pac Man no Atari 2600, já que o “Pac Man” mesmo é horrendo. E “Tapper” hoje eu sei que é um port de arcade. Também era muito bom. Infelizmente emprestei para um vizinho e caiu um raio que torrou o videogame dele e meu cartucho que estava conectado foi junto. Chorei bastante! 🙁 Só fui jogar “Ms. Pac Man” novamente anos depois. E “Tapper” só voltei a jogar depois de muitos anos, com a descoberta dos emuladores. A maioria dos cartuchos que tive eram aqueles de 4 jogos da Dactar (Milmar). E o último, se não me falha a memória, foi um cartucho com 16 jogos, dentre os quais o Ms. Pac Man.

O cartucho de 16 jogos foi vendido para um colega de escola e vários outros cartuchos do Atari 2600 foram trocados com  um dono de locadora por jogos de Master System. Não lembro se vendi mais jogos, mas no final das contas sobraram poucos cartuchos, que são estes que apresento neste artigo.

Duck Fighting

Esse jogo tinha uma característica interessante. Na velha TV preto-e-branco ao ligar o console ficavam passando listas na tela sem parar, impossível de jogar. Mas na TV havia um botão que eu ajustava e parava a oscilação. Depois com a TV colorida nunca mais consegui jogar o Duck Fighting. Hoje que já entendo um pouco dos paranauê sei a CCE teve o dom de lançar um jogo PAL no Brasil. Me pergunto se o Supergame, clone de Atari da CCE, rodava esse tipo de coisa normalmente. Na TV antiga o botão que eu usava era um ajuste de freqüência. Por ali eu conseguia deixar a TV em 50Hz e jogar normalmente. Na TV colorida não tinha tal ajuste, então era impossível jogar.

Caixa do Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Caixa do Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Caixa do Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Caixa do Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Cartucho Duck Fighting de Atari 2600

Robot Attack

Só achei a caixinha, pelo visto o jogo já foi. Nem me lembro ao certo do que se tratava.

 

Caixa do Cartucho Robot Attack do Atari 2600

Caixa do Cartucho Robot Attack do Atari 2600

Caixa do Cartucho Robot Attack do Atari 2600

Caixa do Cartucho Robot Attack do Atari 2600

Bobby is Going Home

Esse também está completo, na caixinha, ainda que ela tenha descolado toda com o tempo, e também com o manual de instruções. Um dos poucos cartuchos que me lembro da compra. O vendedor só tinha dois jogos de Atari 2600: este e o Mr. Postman. Me mostrou os dois na TV, até jogou um pouquinho e deixou eu escolher. Acabei escolhendo esse.

Caixa do Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Caixa do Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Manual do Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Manual do Cartucho Bobby is Going Home do Atari 2600

Mr. Postman

Esse só achei o cartucho. Acho que já comprei ou ganhei ele assim. Lembro que quando ia nas lojas essa capa do Mr. Postman era uma das que mais me chamavam a atenção. As capinhas da CCE são um espetáculo a parte. Não sei se eles chupinhavam de algum lugar (como os jogos em que eles apenas editavam a ROM e colocavam a marca deles) ou se eles realmente produziram tais capas, mas elas eram muito boas. O Atari 2600 sempre exigiu um bom tanto de imaginação, já que os gráficos não ajudavam muito. As capinhas da CCE são de uma imaginação imensa, era até um tanto decepcionante ver o jogo de verdade depois. 🙂

Cartucho Mr. Postman do Atari 2600

Cartucho Mr. Postman do Atari 2600

Cartuchos de 4 jogos da Dactar e AppleVision

Cartuchos com 4 jogos com os dois switches para selecionar era o que eu mais tinha. Acho que eram o melhor custo benefício na época. Sobraram poucos, infelizmente.

 

Cartuchos de 4 Jogos Dactar e Apple Vision

Cartuchos de 4 Jogos Dactar e Apple Vision

Caixa de Cartucho de 4 Jogos Dactar com Baseball, Basket, Golf e Pele's Soccer

Caixa de Cartucho de 4 Jogos Dactar com Baseball, Basket, Golf e Pele’s Soccer

Caixa de Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Caixa de Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Cartucho de 4 Jogos Dactar com Condor Attack, Damas, Star Master, e Frogger; e Caixa de Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Manual do Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Manual do Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Manual do Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Manual do Cartucho de 4 Jogos Apple Vision com Ursinho Esperto, Tron, Pinball, e Volley

Também achei uma série de manuais de jogos que não tenho mais:

 

Manual de O Pulador Q'Bert

Manual de O Pulador Q’Bert

Manual de Air Sea Battle e Command Raid

Manual de Air Sea Battle e Command Raid

Manual de Flash Gordon e Adventure

Manual de Flash Gordon e Adventure

Manual de Entobed

Manual de Entobed

Manual de Cosmic Ark

Manual de Cosmic Ark

Manual de Frogs e Flies e Air Riders

Manual de Frogs e Flies e Air Riders

Manual de Futebol II e Turmoil

Manual de Futebol II e Turmoil

Manual de Chopper Command

Manual de Chopper Command

Manual de Tank

Manual de Tank

E também achei essa bolinha que podia ser acoplada no joystick de Atari para ter uma pegada diferente ou ficar mais semelhante aos arcades. Foi o único acessório de Atari que me lembro de ter, e o único que restou:

Acessório para Joystick de Atari

Acessório para Joystick de Atari

Acessório para Joystick de Atari

Acessório para Joystick de Atari

E no meio da papelada ainda achei essa listinha que fiz na época com os jogos que eu tinha. Não sei se está completa. Os erros de ortografia não são meus, os fabricantes escreviam errado nos cartuchos mesmo: “Turnoil”, e “Lazer Gates” são exemplos disso. Para tempos sem computador, até que documentei bem.

Contei ali 7 cartuchos de 4 jogos da Dactar e 2 da Apple Vision, o que meio que bate com minhas contas do que eu acabei trocando. Da Polyvox mesmo, só o Enduro que veio com o console. Acho que jogos da Polyvox eram raros de se encontrar nas lojas no final dos anos 80. O cartucho de 16 jogos está listado ali junto com o único da Polyvox por algum motivo que só o meu eu de 10 anos deve saber. Esse cartucho de 16 jogos tinha ótimos jogos, todos de 8KB. Acabou dando uma boa sobrevida ao meu Atari 2600 que já estava um tanto abandonado por eu já ter enjoado dos jogos que tinha.

Ainda na listinha, mais 3 cartuchos de 2 jogos ali adiante, um dos quais eu já havia citado. Pato Donald pelo que soube é um protótipo que nunca foi terminado. De fato o jogo tem toda a cara de ser algo incompleto. Por que resolveram vendê-lo por aqui é um grande mistério. Também aparecem ali cartuchos de 2 jogos da “Genus” e da “Digivision”, além de 6 cartuchos da CCE com um único jogo.

Minha antiga lista de jogos de Atari 2600

Minha antiga lista de jogos de Atari 2600

Sempre tive vontade de readquirir um Atari 2600. Mas para satisfazer completamente o quesito nostalgia teria de ser o mesmo modelo que eu tive, ou seja, o da Polyvox com a fonte interna e 4 switches. Além disso eu tinha tudo bonitinho na caixa e com manuais, não sei se ficaria satisfeito com menos. Até porque lembro que o manual do Enduro tinha um texto bem bacana. É raro encontrar um Atari 2600 nessas condições hoje em dia. E mesmo quando encontramos os preços costumam ser bem altos. Pra piorar a situação, eu não gostaria de ter um Atari 2600 apenas para enfeitar, eu gosto de ter consoles antigos também para jogar. Há quem ache que consoles antigos devem ser jogados em TVs CRT, com suas conexões originais, afinal, o Atari 2600 foi feito para ser conectado com RF. Apesar de ter uma TV CRT eu ainda prefiro o conforto do sofá da sala e uma TV LCD de tela grande.

No caso do Super Nintendo e o do Mega Drive, eles vinham apenas com cabo de vídeo composto ou apenas RF, mas a imagem RGB tão boa quanto o chip interno consegue produzir esteve sempre ali, disponível sem qualquer modificação interna, ao alcance de um cabo SCART RGB. No caso do Atari 2600 fica um pouco mais complicado. Ele tem apenas saída RF. O chip interno não é capaz de fornecer imagem RGB. Ele consegue sim oferecer luminância e crominância separadamente, o que dá para usar para montar uma saída S-Video ou de vídeo composto. Apenas explicando: RF < Vídeo Composto < S-Video < Vídeo Componente ou RGB.

Mas para que o Atari 2600 ofereça S-Video, ou mesmo o vídeo composto, são necessárias modificações internas, com direito a diversas soldas. Existem alguns kits de modificação sendo vendidos que facilitam o trabalho, mas ainda assim é preciso fazer algumas soldas. Ao longo dos anos foram lançados diversos mods. A cada novo mod melhorias iam surgindo, então quem fez um mod  dez anos atrás não tem mais a melhor imagem. A bola da vez é o mod da Longhorn Engineer (LHE), nome curioso que pode ser traduzido para algo como “engenheiro chifrudão” em bom português. 🙂

Consoles modificados não são tão fáceis de encontrar. Mesmo no eBay só há atualmente consoles com mod de vídeo composto, nada de S-Video. Então comprar algo pronto nem sempre é fácil. E tanto os kits quando as instalações também tem seu custo. Para fazer mod nos consoles Atari 2600 do Brasil ainda é preciso reverter a transcodificação para PAL-M, deixando-os com saída NTSC, tal qual os consoles originais americanos. Enfim, não é algo tão simples. E ainda há outros mods interessantes, como o de adicionar um botão de pausa.

Outro problema dessas modificações é que elas tiram a originalidade do console. Além das mudanças internas o pessoal costuma furar a carcaça do console para acrescentar as novas saídas, ou seja, as mudanças acabam sendo irreversíveis. Muitas vezes a saída RF acaba também eliminada nesse processo. Hoje um console modificado vale mais que um com tudo original de fábrica. Mas no futuro creio que a situação vai se inverter e um console não modificado passará a ter mais valor do que um console com alguma modificação qualquer que já esteja ultrapassada.

Aí fica aquela dúvida: adquirir um console que atenda o quesito nostalgia ou um console que dê para jogar em TVs modernas? Atender a nostalgia só é viável para mim hoje sem caixa e manuais, mas aí não é algo completo. Até considero adquirir um caixa na Lojinha do Moisés, pois o trabalho dele é excelente, mas ele ainda não tem a caixa do Atari 2600 Polyvox com 4 switches e fonte interna. Por fim, imagem RF em TV LCD ficaria muito ruim e eu acabaria preferindo jogar no emulador, pois a emulação do Stella, o melhor emulador de Atari 2600, se aperfeiçoou muito nos últimos anos. Até o som do Atari, que sempre foi a maior dificuldade dos programadores de emuladores, está muito bom no Stella. E  a imagem do Stella rodando no meu ZBox certamente supera até mesmo a imagem obtida com um Atari 2600 original com o mod S-Video do LHE. E isso considerando que eu consiga obter uma boa imagem usando algum conversor de S-Video para HDMI, pois nem minha TV nem meu receiver tem entrada S-Video. É um tipo de conexão que já está se extinguindo.

Pode-se dizer que tal raciocínio se aplica a qualquer console antigo, mas não é bem o caso. Por exemplo, no caso do Mega Drive, o mesmo console atende os dois quesitos: originalidade e melhor imagem para jogar hoje (com o cabo SCART RGB que não requer modificações no console). O Kega Fusion, que é o melhor emulador de Mega Drive atualmente, não oferece uma imagem melhor que o cabo SCART RGB, exceto pelos filtros, mas filtros são questão de gosto pessoal. Quanto ao som, o Kega Fusion ainda deixa um tanto a desejar com relação ao hardware original do Mega Drive, em especial no som. Por fim, há os problemas de compatibilidade com o Windows 8.1 e o fato de que seu desenvolvimento foi abandonado. No caso do Atari 2600 o cenário de emulação é melhor, pois o Stella está aí há décadas e 100% compatível com o último Windows.

E você leitor? Qual sua opinião? Vale a pena ter um Atari 2600 nos dias de hoje? Com os melhores mod? Com qualquer mod, ainda que só de vídeo composto? Sem mod algum porque original é melhor? Com caixa e manuais pra ter tudo completo e com mais valor? Ou o que importa é só jogar e dane-se o manual? E pra jogar hardware original nesse caso ainda vale a pena? Ou é melhor e mais fácil se contentar com o emulador? Afinal o Stella tem até filtros para deixar a imagem igual a de RF para quem gosta. Deixe seu comentário.

Atualização (26/08/2014): Testei todos os cartuchos. Todos falharam na primeira tentativa, mas todos também funcionaram após uma rápida limpeza dos contatos com álcool isopropílico. Queria ter conhecido esse álcool na minha infância. Curiosamente até mesmo o “Duck Fighting” funcionou, mesmo sendo PAL. Pesquisei um pouco e achei a seguinte resposta no Atari Guide: “Cada cartucho diz ao Atari 2600 quando gerar pulsos de sincronização de linhas da TV. Isto significa que usar um cartucho NTSC em um console PAL, ou vice-versa, fará com que os pulsos de sincronização sejam gerados na freqüência errada. O efeito em rede disso é que algumas TVs irão “rolar” a imagem, e precisarão que o controle vertical seja ajustado. Outras TVs irão lidar com a frequência de sincronização incorreta transparentemente”. Ou seja, minha antiga TV preto-e-branco precisava do ajuste, a antiga TV colorida precisava do ajuste mas nem tinha o ajuste, e a TV atual corrige o problema de maneira transparente. Isso explica a CCE ter vendido tais cartuchos, acho que para a maioria das  TVs modernas não causava problemas.

Link permanente para este artigo: https://www.skooterblog.com/2014/08/18/atari-2600/

Deixe um comentário

9 Comentários em "Atari 2600"

Notificar sobre
avatar
Ordenar por:   mais novos | mais velhos | mais votados