Os Mini PCs se tornaram uma alternativa interessante para quem precisa de um computador pequeno, econômico e capaz de realizar tarefas que não justificam uma máquina de tamanho convencional. No meu caso, porém, quando precisei substituir o computador da sala, acabei seguindo outro caminho: escolhi um Dell OptiPlex Micro Plus 7020.
O objetivo era substituir um MSI Cubi que já vinha apresentando problemas aparentemente relacionados ao hardware. Como os Mini PCs importados estavam com preços finais pouco atraentes, preferi um equipamento vendido oficialmente no Brasil, de uma linha corporativa conhecida e com garantia local.
Depois de mais de um ano de uso, neste artigo conto como o OptiPlex Micro se saiu principalmente como computador para captura e transmissão de vídeo com OBS, além de outras tarefas ocasionais.
Configuração do Dell OptiPlex Micro Plus 7020
A configuração que comprei veio com:
- Intel Core i5-14500T
- 16 GB de memória DDR5
- SSD NVMe de 512 GB
- gráficos integrados Intel
- módulo HDMI opcional
Mantive a configuração original durante todo esse período. Não senti necessidade de aumentar a memória ou substituir o SSD para o tipo de utilização que faço.
Um dos principais atrativos do OptiPlex Micro é justamente o tamanho. Apesar de ser um computador corporativo completo, ele ocupa muito pouco espaço e coube perfeitamente em um nicho do rack da sala, instalado na vertical.
Por que escolhi um OptiPlex em vez de outro Mini PC?
O computador anterior era um MSI Cubi, que já cumpria uma função semelhante. Com o tempo, entretanto, começaram a surgir problemas no Windows que pareciam estar relacionados ao hardware.
Quando fui procurar um substituto, considerei novamente os Mini PCs compactos que se tornaram bastante populares nos últimos anos. O problema é que muitos dos modelos interessantes são importados e o preço final no Brasil já não estava tão convidativo.
O OptiPlex oferecia algumas vantagens importantes para mim: tamanho reduzido, configuração adequada, compra oficial no Brasil e a segurança de uma linha corporativa da Dell com suporte e garantia locais.
No meu caso, esse conjunto acabou pesando mais do que simplesmente procurar o Mini PC com a melhor relação entre especificações e preço.
O principal uso: OBS e captura de videogames
A principal função do OptiPlex é fazer transmissões ao vivo para o YouTube utilizando o OBS Studio.
Meu sistema de videogames utiliza um Pixel FX Morph 4K. Consoles como Atari 2600, Nintendo Switch e PlayStation 3, além do MiSTer FPGA, passam pelo Morph 4K.
A partir dele, o sinal segue simultaneamente para o receiver Yamaha e para uma Magewell USB Capture HDMI 4K Plus, conectada ao OptiPlex.
Na prática, o computador recebe o vídeo da Magewell e o OBS fica responsável pela transmissão.
Atualmente faço essas capturas em 2560 × 1440 a 60 quadros por segundo, configuração que tem funcionado muito bem.
O PlayStation 5 é uma exceção nesse sistema, pois normalmente utilizo os próprios recursos do console para transmissão.
E captura em 4K?
Também fiz alguns testes em 4K nos quais o OBS apresentou perda de quadros. Esses testes envolveram outras variáveis, como HDR e H.265, e não fiz uma investigação suficientemente controlada para afirmar que o limite esteja no processador ou nos gráficos integrados do OptiPlex.
Há ainda outra limitação importante: minha Magewell USB Capture HDMI 4K Plus captura 4K em até 30 fps. Para mim, 60 fps é mais importante, especialmente tratando-se de videogames, então continuo utilizando 1440p60.
Uma futura migração para captura em 4K60 provavelmente exigiria primeiro uma nova placa de captura, além de uma nova avaliação do restante do conjunto. Portanto, não considero isso uma limitação relevante do OptiPlex no meu uso atual.
Uma grande evolução em relação ao MSI Cubi
Outra vantagem importante apareceu simplesmente no uso do Windows na TV.
O antigo MSI Cubi ficava limitado a 1080p ou 4K a 30 Hz na minha configuração. Para uso no desktop, 30 Hz é bastante desagradável.
Com o OptiPlex consigo utilizar corretamente a TV em 4K a 60 Hz e HDR, através do HDMI, passando pelo receiver Yamaha.
Pode parecer um detalhe secundário em um computador cuja função principal é captura, mas faz bastante diferença quando preciso trabalhar diretamente nele.
Instalação do Windows e driver de rede
A instalação do Windows teve uma pequena complicação: precisei fornecer manualmente o driver de rede, e encontrar o driver correto deu um pouco mais de trabalho do que eu esperava.
Depois de tudo instalado, porém, não tive problemas de estabilidade.
O computador não apresentou travamentos e também não percebi sinais de superaquecimento ou redução de desempenho por temperatura durante o uso normal. Não fiz testes específicos de thermal throttling, portanto essa observação é baseada exclusivamente na experiência cotidiana.
O incômodo com o BitLocker
Outro problema que encontrei foi o BitLocker.
Em algumas situações envolvendo queda de energia ou alterações no sistema, o computador passou a solicitar a chave de recuperação. Como isso é especialmente inconveniente em uma máquina instalada na sala e que muitas vezes acesso remotamente, acabei desativando o BitLocker.
Não considero isso propriamente um defeito do OptiPlex, mas foi uma particularidade da configuração que me incomodou durante o uso.
Silencioso no rack
Um aspecto que me agradou bastante foi o ruído.
Na prática, o OptiPlex é praticamente inaudível no local onde está instalado. Durante as transmissões, percebo mais facilmente o pequeno ventilador da própria Magewell do que qualquer ruído vindo do computador.
Também não tive problemas com o gabinete compacto ou com a fonte externa. Para a função que ele exerce, o formato Micro acabou sendo praticamente ideal.
Outros usos
Embora transmissão e captura sejam as principais funções, ocasionalmente também utilizo o OptiPlex para tarefas mais simples.
Já usei a máquina para emulação, embora hoje boa parte dessa função tenha sido substituída pelo MiSTer FPGA. O MSI Cubi também era utilizado com Kodi, mas atualmente essa tarefa ficou por conta da Nvidia Shield.
O OptiPlex ainda é útil para editar arquivos como o MiSTer.ini, fazer consultas rápidas na Internet e outras tarefas que não justificam ir até o computador principal do escritório.
Quando preciso fazer algo mais trabalhoso, normalmente acesso o OptiPlex remotamente pelo AnyDesk ou pela Área de Trabalho Remota do Windows. É bem mais confortável do que utilizar o teclado com touchpad que mantenho na sala.
Pontos positivos e negativos
Depois de mais de um ano de uso, estes são os aspectos que mais se destacaram.
Pontos positivos:
- formato extremamente compacto;
- desempenho adequado para captura e transmissão em 1440p60;
- funcionamento muito silencioso;
- estabilidade no uso diário;
- 4K60 e HDR na TV;
- boa conectividade;
- facilidade para acesso remoto;
- compra e suporte oficiais no Brasil;
- construção de uma linha corporativa.
Pontos negativos:
- preço pode ser maior que o de alguns Mini PCs importados;
- instalação do Windows exigiu intervenção com o driver de rede;
- episódios com a chave de recuperação do BitLocker foram inconvenientes;
- não é uma máquina voltada a desempenho gráfico pesado;
- para uma futura estrutura de captura 4K60, eu avaliaria também opções com GPU dedicada.
OptiPlex Micro ou Mini PC?
Então, afinal, vale mais a pena comprar um Dell OptiPlex Micro ou um Mini PC?
Não existe uma resposta universal.
Mini PCs podem oferecer configurações bastante agressivas pelo preço e existem inúmeras opções interessantes. No meu caso, entretanto, o OptiPlex fazia mais sentido porque eu queria uma máquina compacta para uma função específica, com boa estabilidade, disponibilidade oficial no Brasil e suporte local.
Depois de mais de um ano, ele continua cumprindo exatamente a função para a qual foi comprado.
Se precisasse substituí-lo hoje, provavelmente compraria outro OptiPlex Micro. Para uma futura estrutura de captura em 4K60, talvez procurasse alguma configuração ou linha compacta com GPU dedicada, mas isso ainda não é uma necessidade para mim.
Para quem procura um computador pequeno e está olhando apenas para os Mini PCs tradicionais, portanto, vale a pena considerar também os desktops corporativos Micro. Dependendo da aplicação, eles podem ser uma alternativa mais interessante do que parecem à primeira vista.



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