Ladrões de CIC do SNES: mais um motivo para não comprar cartucho de Super Nintendo no Brasil

Já expliquei em artigos anteriores porque eu não compraria um Super Nintendo no Brasil, onde os consoles vem todos mexidos, com componentes trocados, pernas de chips cortadas, etc. por conta da transcodificação para PAL-M e do desbloqueio para funcionar com cartuchos piratas que não tem o CIC (Checking Integrated Circuit), que é o chip que a Nintendo usa tanto no console quanto no cartucho para que cartuchos piratas não funcionem nos consoles. Meu Super Nintendo de infância infelizmente já veio com essas modificações porcas, e foram os defeitos causados por elas que levaram ele à morte.

No início dos anos 90, as locadoras do Brasil eram inundadas de jogos piratas de Super Nintendo, alguns com o CIC, outros sem. Lá pelo fim do ciclo de vida do Super Nintendo, o CIC foi clonado e usado em cartuchos piratas. Mas como explicar os cartuchos piratas que tinham o CIC presente ainda no início da vida do console?

Eu me recordo que os primeiros Super Nintendo que chegaram do Brasil via Paraguai eram ainda bloqueados, e seus donos eventualmente ficavam frustrados porque alguns jogos que alugavam (os que não tinham o CIC) não funcionavam em seus consoles. Mas eles não sabiam exatamente por que. E não tinha como saber ainda na locadora se o cartucho iria funcionar ou não, pois por fora eles não tinham qualquer indicação de ter ou não o CIC.

Posteriormente, os consoles passaram a vir do Paraguai desbloqueados (o meu de infância estava nessa). Os pirateiros, não sei se paraguaios ou brasileiros, cortavam uma trilha da placa do console e soldavam um fio em uma perna do chip, o que permitia que o console executasse tantos jogos piratas quanto originais.

Esse tipo de modificação acabou se mostrando um tiro no pé mais tarde, quanto a Nintendo passou a fazer alguns cartuchos, como o Mario RPG, que verificavam a presença do CIC no console, e não funcionavam nos consoles desbloqueados. Isso levou os pirateiros a acrescentarem chaves no console para ligar e desligar o desbloqueio, conforme o cartucho sendo executado fosse original ou pirata.

Eu acabei adquirindo meus consoles Super Nintendo recentes no eBay, como já relatei em artigos anteriores. Direto dos EUA, eles vieram como de fábrica, livres de qualquer modificação, pois lá esses desbloqueios não eram comuns, e a transcodificação para PAL-M obviamente não era necessária. O PAL-M só foi usado no Brasil, nos EUA o padrão usado era o NTSC.

Mas quando estava testando meu último Super Nintendo na TV CRT, levei o console até o quarto onde fica a TV mas lembrei que havia deixado todos os cartuchos na TV LCD do escritório, onde fiz o unboxing e os primeiros testes. Lá junto com a TV CRT só havia um cartucho, o Super Mario World que veio com meu Super Nintendo de infância, que eu não havia levado para a outra TV pois tinha outra cópia do Super Mario World para testar, a que veio com um dos Super Nintendo que adquiri recentemente.

Quando coloquei o meu Super Mario World de infância no Super Nintendo bloqueado notei que ele não funcionou. Achei estranho, limpei os contatos do cartucho e continuou não funcionando. Logo desconfiei do CIC, será que o meu Super Mario World de infância teve o CIC removido? Tendo o console de infância já vindo desbloqueado, ele funcionava normalmente então eu nunca desconfiei disso antes.

Testei então o cartucho no Analogue Super Nt, que não verifica o CIC do cartucho, e ele funcionou normalmente, o que foi mais um fator para aumentar a suspeita sobre a falta do CIC no cartucho.

Resolvi então abrir o meu cartucho de infância do Super Mario World, algo que eu nunca havia feito antes. Peguei as minhas gamebits e rapidamente abri o cartucho, que é preso apenas pelos parafusos.

E foi assim que eu confirmei minhas suspeita: o CIC estava ausente no meu cartucho do Super Mario World. As pontas dos terminais dele ainda estavam soldadas, indicando que ele foi removido com um alicate de corte ou ferramente semelhante.

Cabe notar que a placa do cartucho tem todos os indicativos de que é original, com os componentes discretos, logotipo da Nintendo com o copyright, ROM, SRAM, bateria, etc. A versão da placa é SHVC-1A1B-05.

E assim o episódio foi ficando bem claro para mim. Os pirateiros safados desbloqueavam o console porcamente e aproveitavam para roubar o CIC do cartucho, afinal o console desbloqueado não faria mais a verificação, e o dono nunca perceberia a mudança. Ou quase nunca, eu percebi… depois de 27 anos!

Apenas para confirmar, abri também o outro Super Mario World. Esse outro cartucho tem a PCB um pouco mais antiga: SHVC-1A1B-04, mas os componentes são exatamente os mesmos, exceto pelo fato de que essa placa está com o CIC intacto.

E o que foi feito com o CIC removido do meu cartucho? Nunca saberei com certeza. Mas aposto que foi usado em algum cartucho pirata, para que o mesmo funcionasse também em consoles bloqueados.

Recentemente abri dois cartuchos piratas que ganhei e um deles possui o CIC. E é curioso notar que juntaram todos os componentes em um chip-on-board, exceto pelo CIC, que continua separado. Mas pelo menos nesse caso o CIC aparentemente é um clone.

PCB do cartucho Kawasaki Superbike Challenge, do Super Nintendo.
PCB do cartucho Kawasaki Superbike Challenge, do Super Nintendo.

Recentemente também li algum relato de alguém que comprou cartuchos de Super Nintendo na AliExpress e recebeu um cartucho com uma plaquinha igual a essa com um CIC original, um tanto surrado, instalado nela. Certamente foi removido de algum cartucho original.

Assim, se eu já havia desistido de comprar consoles no Brasil, agora desisti de comprar cartuchos também. Não só os consoles são todos mexidos, os cartuchos também são! É arriscado pagar caro em um cartucho original no Mercado Livre e depois ter a desagradável surpresa de ver que o CIC dele foi roubado e ele não vai funcionar em um console bloqueado. É lamentável!

O jeito é continuar comprando direto dos EUA no eBay. Pelo menos por lá esse tipo de canalhice deve ser mais raro.

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Vc deve ter lido sobre este CIC em algum fórum na internet provavelmente em ingles, e nesta época nem havia internet, curioso como os técnicos aprendiam como piratear e trocavam as informações, deveria ser algo mais restrito.

E tem uma bateria CR2032, suponho que seja para os savegames, e se vc nunca abriu em tantos anos, esta bateria ainda funcionava?

Iuri Fiedoruk

Que bizarro! Bacana essa história.
Uma vez eu troquei a placa interna de um megaman 4 de NES. O meu era um pirata meio bagunçado (loga da capcom trocado, umas telas de abertura bugadas), os caras da locadora foram num jantar que a turma de colégio fez para levantar fundos para uma excursão, e eles ficaram assediando – passando a mão mesmo – nas minhas colegas.
Minha “vingança” foi pegar o pirata deles – nem original era – e colocar no lugar do meu.
Continuava funcionando em ambos os casos, mas o meu agora parecia mais com o jogo original.

Rafael Lima

Nossa,essa é novidade pra mim. Ainda não peguei cartuchos originais sem o CIC.

Luiz Miguel Gianeli

Excelente artigo, muito bom e esclarecedor. Somente agora, uns 20 anos depois é que vim entender porque o Super Mario RPG não funcionava em meu Super Nintendo… lamentável. Que bom que hoje temos os emuladores e já consegui zerar este grande jogo traduzido em português. Mas na época foi uma grande decepção… Peguei um Snes usado dias atrás, tomara que não seja desses adulterados…

celsoaffini

Brasil ainda deve guardar muitos mistérios em relação a videogame, aqui deu-se um jeito pra todos conseguirem jogar videogames, mas não é nenhuma surpresa, já tinha visto algo sobre o CIC, mas nessa matéria conheci mais ainda. Parabéns pela informação compartilhada.

Douglas Dias

Então, não sei se você abriu algum Snes destravado dessa época.
não é que os paraguaios era ladrões malvados de CIC (até pq uma pilha deles com terminais cortados não serviriam para falsificar outros cartuchos).
antes de descobrirem que bastava levantar o pino 4 do CIC dentro do console para impedir o reset de ser acionado em caso de erro, os “pirateiros” retiravam o CIC de um cartucho original que quase sempre era o Mário World, que já vinha com console e transferiam o chip inteiro para dentro do console fazendo as devidas ligações direto na placa, dai o console sempre teria a checagem evalidação do CIC independente do cartucho conectado.

Helinux

Brazil com z tem corrupção até no Vídeo GAme!!!! kbuloso!!!! Sinceramente eu não sabia e ainda nada sei…bom saber!!!! valeu

Luiz

Exagerado demais. N comprar mais console no brasil pelo pal-m da pra entender, mas cartuchos? Todo mundo pode comprar gamebit hoje (40 paus nas duas pagando caro) e abrir pra ver a situação do chip antes de pagar. Pela internet vc pode pedir fotos do chip pro vendedor ou devolver dentro de 7 dias por arrependimento em casos de compra no mercado livre e shopee. Pensando assim das duas uma: é muita emoção pra um problema que em geral so tem em super mario world ou tem algum tipo de maluquice neurotica mt forte dentro do cranio.
Como diz meu irmão: Môss, se controla!

Lucca

hmm, ten algum jeito de descobrir se é falso sem abrir o snes? eu comprei um snes a uns dias e não sei se é falso.

Bruno justo

Isso talvez se aplicava somente no super Mario world, devido ele vir com o console!

Esses cics do Aliexpress, provavelmente deve ser tudo super Mario world? Mas essa prática de retirar o cic deve ser bem no início do snes,tem muitos cartuchos piratinha com cics falsos!

Então não vejo preocupação de adquirir um jogo de snes original no Brasil.

Agora se for o super Mario Wolf e bom ver os anúncios que mostra as fotos da placa.

Rubens

Bom, meu SNES foi comprado em 1994 via Paraguay, joguei até meados de 2000 quando ficou pra minha irmã, e ela jogou até meados de 2003 quando comprou um GameCube, e depois vários outros consoles. O SNES ficou parado de 2003 até agora, 2022, quase 20 anos dentro de uma caixa de papelão sem ao menos ligar de vez em quando. 

Resolvi ligá-lo. Achei estranho ele estar todo amarelado. Deu problema de imagem quadriculada. Fui pesquisar na net sobre como resolver, textos e videos. Descobri ser chip de memória e/ou PPU2 que precisavam ser substituídos. Daí achei seu blog e vários outros sites e canais de YouTube e depois de ler bastante resolvi comprar as chaves Gamebit e abrir o console, e fotografar tudo antes de enviar pra consertar. 

O console nunca havia sido aberto por mim, e tampouco foi a alguma assistência, até onde lembro ou sei. Abri. Placa SHVC-CPU-01. Tufos de poeira dentro do console com direito a alguns bichos FOSSILIZADOS no meio dos chips. Limpei tudo com isopropílico. A placa estava até bonita, apesar das gambiarras. Não havia oxidação, nem capacitores vazando. Logo de cara vi as tais modificações feitas pelos pirateiros nos anos 90. Perna do CIC levantada, cristal oscilador de PAL-M soldado com as pernas bem altas e por isso mesmo, a placa ficou sem a blindagem superior, o fusível não era original, o botão do EJECT não era o pintado, faltando a trava de cartuchos, etc. 

Limpei todos meus 11 cartuchos com álcool isopropílico e 9 deles voltaram à vida. Somente um cartucho, Super Metroid, era original, e foi minha irmã quem comprou nos anos 2000. O cartucho que veio com o console: “O Máscara”. Pirata, chip bolhão. Então os pirateiros também furtaram o cartucho original. A fonte era a mesma desde 1994. Igualmente paralela. (Dentro do console, na posição do capacitor C67 grandão, não havia capacitor, e sim um resistor). O cabo AV, também paralelo. 

Levei pro conserto. Busquei o console 3 dias depois e assim que cheguei em casa, liguei e notei algo estranho: A imagem quadriculada havia sido consertada, mas estava meio desbotada. Abri o console rompendo o “lacre de garantia” da oficina, e olha só: Ao invés de trocar o chip defeituoso, a oficina furtou a minha placa inteira, e colocou no lugar uma SNS-CPU-GPM-02. Pior: uma placa imunda, fortemente oxidada, cheia de gambiarras, soldas mal feitas, capacitor explodido vazando na placa, fios saindo de chips, trilhas rompidas, etc. Um verdadeiro lixo, e com a porta traseira onde fica o plugue da fonte e do cabo AV desencaixados da carcaça, entregando um serviço final absolutamente porco. 

Além disso a loja colocou essa placa horrorosa diretamente na carcaça plástica do console, furtando também a blindagem de aço galvanizado que fica embaixo da placa. Já não tinha a blindagem de cima, agora ia ficar sem a de baixo também. Pra piorar, vários parafusos que prendem a placa ao console simplesmente não foram parafusados de volta.

Por fim, voltei no mesmo dia nesse antro de malandros e consegui a minha placa de volta, não sem passar um bocado de raiva antes. Por sorte eu a tinha fotografado ANTES de levar pro conserto, por diversos ângulos, e sabia exatamente qual era e com quais peças. Quando ameacei chamar a Polícia Militar e irmos todos pra delegacia, o cara arriou, o “profissional” alegou que se “confundiu” com a placa de outro cliente. Meio difícil confundir uma SHVC com uma GPM, é como confundir maçã com banana. O formato e desenho são diferentes. Logo não foi algo sem querer, foi intencional. Minha placa estava lá toda desmontada: O módulo RF, o slot de cartucho, a placa de som offboard aberta… Nada disso é necessário pra se trocar um chip de memória, ou seja, o elemento além de furtar a minha placa, a estava depenando. 

Mas ficou a tentativa de furto, e se eu fosse totalmente leigo em SNES, só interessado em ligar e jogar, (o que deixei de ser graças ao seu blog e outros que se dispuseram a compartilhar o que sabem) teria passado batido. Então por fim, já com o dinheiro de volta e o console recuperado com todas as peças, não sem muita encheção de saco, raiva e insistência, consegui levar em outra oficina e consertei o console. 

Ainda preciso trocar os capacitores, reverter pra NTSC e trocar a porta traseira da fonte, que está com pino quebrado. Isso será feito esse mês. Já comprei uma blindagem superior, comprei uma fonte nova, ORIGINAL. (Essa foi a melhor compra que fiz, tirou um zumbido que havia), Comprei um cabo S-Video. Comprei um cartucho Burn In Test. Fiz um retrobright nele e o resultado não me agradou, então também irei pintá-lo em breve. Ainda vou comprar um EJECT original, pintado, e uma trava de cartucho. Vou deixá-lo novamente ORIGINAL, como ele nunca esteve na minha mão. 

Quanto aos cartuchos que irei comprar daqui em diante… Bom, cartucho original é meio fora de questão a não ser que apareça algum que esteja inteiro e por preço razoável, o que está quase impossível. Infelizmente vivo no Bostil, e aqui neste lodaçal de país, o pessoal tem cobrado os olhos da cara por cartuchos originais sujos, usados e surrados por 20 anos ou mais, com labels rasgadas e até mordidos por cachorro. Importar dos EUA é fora de questão devido as taxas dos mafiosos da Receita Federal. Vou comprar cartuchos repro mesmo, novinhos, chipados e de boa qualidade de construção pros jogos com chips especiais e pro restante vou comprar um Everdrive. 

Rubens

Voltando aqui depois de alguns meses. Limpei a placa (e o slot) do SNES em bacia ultrassônica. Troquei os capacitores do SNES, reverti pra NTSC, troquei a porta traseira da fonte, comprei a blindagem superior, a qual apliquei um anti-ferrugem e pintei com spray Chemi Color de alta temperatura cor Alumínio Fosco. Passei esse mesmo spray na parte externa do slot de cartuchos, tomando o devido cuidado de tampar o interior do slot e na blindagem da placa de som off-board. Pintei a carcaça com a tinta spray de SNES que vende no site Mercado Livre. Já comprei mais de 10 cartuchos, todos repros novinhos. Originais estão fora de questão, exceto se ainda vendessem novos e por preços de mercado. Comprei também uma caixa de MDF com isopor muito bonita e bem feita que surgiu recentemente no Mercado Livre, do vendedor 1980Criarts. Muito melhor do que as repros de papelão que não tem o berço. Comprei 2 controles 8Bitdo sem fio. 

SNES finalmente restaurado, rodando lisinho e pegando cartuchos de primeira! Chegou a hora de trabalhar no segundo console, o GameCube, que mencionei acima que tinha… Cor Azul, nacional da Gradiente, DOL-002, com a saída digital. Não lembro bem o motivo, mas tenho 2 controles, um laranja e outro preto. Não tenho controle azul. Lembro que tinha um azul também, que veio com o console, mas não sei onde foi parar. Fonte original. Memory Card original. Cabo AV comum. 

Quando eu disse acima no comentário anterior que guardei o SNES em 2003 quando comprei o GameCube, o mesmo aconteceu com o Gamecube quando comprei o Wii, até por conta da retrocompatibilidade entre os dois, ou seja, rodei os dvds de GameCube no Wii em sua maioria do tempo. Na mesma época estava cursando a faculdade, então usei pouquíssimo o Gamecube. Foi pra mesma caixa onde coloquei o SNES, inclusive. Ficaram lá juntos até o ano passado, meados de Abril de 2022.

Estava muito sujo e empoeirado. A porta da frente, branca, onde ficam os controles, amarelou fortemente. Um paninho úmido e um limpa-contatos resolveu. Desmontei os controles, higienizei a placa, lavei a carcaça, troquei os botões plásticos dos analógicos que estavam desgastados, sujps e amarelados. No console, não quis abrir, achei muito complicado pra mexer e preferi deixar pra um profissional. Fui a procura de um. Bastou ligar o console e funcionar, sem nenhum problema.

Enquanto trabalhava no SNES, jogava no GameCube. Joguei durante quase toda a metade de 2022 e nesses três primeiros meses de 2023, sempre sem “forçar” muito, pois eu via que o console estava bastante sujo por dentro. 

Enviei pelos correios o meu GC pra uma suposta e alegadamente renomada oficina de São Paulo-SP (cujo nome possui as mesmas iniciais “GC”) pra fazer a limpeza interna e instalar o Picoboot. Sou de Goiânia-GO. Coloquei na Ordem de Serviço: Limpeza da carcaça, limpeza da placa, troca dos capacitores ruins, instalação do Picoboot e “qualquer outro detalhe necessário que for identificado”. Sem preocupar com valores, só quero o console perfeito. 

Sou filatelista, mexo com correios toda hora, e conheço bem o “excelente” serviço dessa empresa estatal chamada “Correios”, por isso me precavi de antemão. Eu coloquei tanto isopor, plástico bolha e até pano pra proteger o console no transporte, que poderia até jogar futebol com ele que não danificaria. Exagerei na proteção mesmo. O console viajou numa caixa enorme. 

Enquanto o console estava em São Paulo-SP, comprei uma caixa de MDF pro Gamecube, que vende no Mercado Livre, e comprei um cabo adaptador HDMI pra saída digital, da Bitfunx, que vende no Ali Express. 

Enviei pelos correios um console sujo de poeira pelo tempo, porém com o leitor funcional. Recebi de volta o mesmo console, que continuava sujo, porém agora sem funcionar o leitor. 

O dito técnico, que é uma criatura com nome de pneu francês e é conhecida no mundo retrogamer, simplesmente furtou o meu leitor de mini dvd do GC que estava funcionando perfeitamente e inseriu um outro velho, cansado, barulhento e que não lê discos. E ainda por cima MENTIU pra mim dizendo que o leitor chegou até ele sem funcionar, que o console estava todo mexido e até faltando parafusos que ele disse que repôs (detalhe: Meu console NUNCA havia ido a uma assistência, nunca tinha sido aberto. Como disse, foi pouco usado pois logo depois comprei um Wii e rodei os jogos do GC nele). Depois MENTIU DE NOVO dizendo que o drive de dvd pode ter se danificado no transporte de volta. Com duas mentiras contraditórias entre si, desse jeito. Afinal, se o drive não funcionava, como pode ter sido danificado pelo correio? 

E quando falei sobre a limpeza da carcaça, o mesmo alegou que não fazia esse serviço (embora a página do facebook dele o mostre, em diversas fotos, lavando carcaças de videogame na pia, limpando placas em bacia ultrassônica, e até mesmo pintando com jato de areia pra remover ferrugem e até mesmo fazendo pintura eletrostática…). O nome da loja tem “CARE” no nome, o que significa “CUIDADO” (que dá a pensar ser no sentido de cuidar, carinho, guarda, proteção) em inglês, mas acho que descobri que o sentido é o de cuidado, atenção, cautela, arapuca, armadilha. 

Respondi a ele que limpar a placa e deixar a carcaça plástica imunda, é a mesma coisa que tomar um banho e usar a mesma cueca suja e suada. Ele não deve ter gostado muito, mas penso que LIMPEZA e ASSEIO são fundamentais. Ainda mais em eletrônicos antigos. Gamecube é complicadinho de desmontar, se eu não sei fazê-lo, e estou PAGANDO pra alguém fazer, e esse alguém é visto em fotos fazendo isso na página da sua empresa, o que espero é que seja feito ou que avise ANTES de enviar o console pelo correio, que não faria. Incrível que se deu ao trabalho de desmontar tudo pra limpar a placa, será que cairia a mão dele se jogar uma água com sabão na carcaça?

O picoboot foi instalado, configurei aqui o Swiss e está funcionando normalmente. Coloquei até a logo animada inicial do Gamecube antes de abrir o Swiss. Mas estou tão chateado com o FURTO do meu leitor de dvd, que nem joguei mais do que 10 minutos até agora. Perdi a graça. Simplesmente guardei o console na caixa e vou demorar chegar perto dele, tamanha a minha frustração. 

Só estou contando o acontecido aqui no seu blog mesmo. Não vou dar review negativo na loja dele do Google. Acho isso medíocre, coisa de esquerdopata adolescente cuzão cancelador de twitter. Prefiro deixar que a vida se encarregue dele. Achei um canhão laser de GC no Ali Express por R$ 100, mas vou precisar achar alguém – confiável – que instale. Mesmo tendo agora o Picoboot, tenho 27 dvds de jogos de Gamecube que agora estão inúteis. Alguns que hoje estão bastante caros, como o Metroid 2 Prime Echoes, Zelda Wind Waker… 

Fica a questão: Porque esses técnicos de videogames tem que ser, quase todos eles, uns pilantras e ladrões de peças? 

Volto daqui mais alguns meses com o final da saga do Gamecube, provavelmente tendo adquirido o Game Boy Player e uma carcaça nova transparente que lançaram no Ali Express, e provavelmente o início da saga do Wii. 

Rubens

Estou de volta. Fui jogar no Picoboot do Gamecube. Durou uns 20 minutos e deu tela preta.Abri o console pra ver o que diabo está acontecendo. 

O Gamescare instalou o Picoboot usando fios finíssimos, da espessura de fios de cabelo, que simplesmente arrebentaram no meio (GPU4) e dessoldaram da placa do Raspberry (3,3 V). Tudo quanto é youtuber avisando pra NÃO USAR esses fios finos que o chinês envia junto ao Picoboot, no Github webhdx PicoBoot, na seção “Installation Guide”, é dito pra usar fios de boa qualidade e espessura, 26 ou 28 AWG. Mas o Gamescare ignora isso, e por economia burra, usa o fio chinês finíssimo que arrebenta com facilidade, deixa o cliente com raiva e o perde. 

Me foi cobrado o recap (troca de capacitores) e NENHUM capacitor foi substituído, nem mesmo na pequena placa de alimentação que fica no piso do console. Nem as thermal pads foram trocadas, embora tivessem sido cobradas e pagas. A carcaça do videogame e a carenagem externa do cooler, com marcas de ter encostado ferro de solda (derreteu o plástico). 

E a sujeira… Meu Deus. Você já abriu a carenagem traseira de um ventilador velho, onde fica o motor? Estava igual. Tufos de sujeira. T U F O S. O cara instalou (porcamente) o Picoboot e não teve coragem de sequer passar um pincel seco na placa, nem pra tirar o grosso de sujidade, mesmo eu pedindo na Ordem de Serviço pra deixar o console limpo (eu estaria PAGANDO por esse serviço). 

Desmontei tudo, assistindo videos no youtube pra saber o passo-a-passo, em seguida lavei as partes plásticas, e limpei a placa com pincel e borrifando limpa contatos. Remontei, liguei. E só entra na BIOS do Gamecube, (aquele menu inicial onde ajusta calendário, etc) e não lê os discos. O Picoboot foi pro saco. Arranquei tudo. A solda estava tão malfeita que praticamente se soltou sozinho. Eu nunca fiz uma solda na vida, e acho que eu teria feito melhor. 

Então botei o GC pra passear de novo, dessa vez pra Volta Redonda-RJ. Mandei pra outra assistência, o Grupo ALPHA GAMES do Mestre Yang Loo. Ele fez até video do reparo, confere aí: https://www.youtube.com/watch?v=PQBQg36moiU Agora tenho meu Gamecube com o leitor funcionando e também com o picoboot instalado, thermal pads trocadas e placa limpa, do jeito que eu queria. Achei o serviço dele muito bom! E agora estou jogando usando o cabo adaptador HDMI da Bitfunx, na saída digital. Está um espetáculo. 

Volto daqui uns tempos com o início da saga do meu Nintendo Wii.